Lucinda
Lucinda, Tôdus te bêm felartiandu, de bez em cuandu.
Lucinda, Mátasme tôdu, tirasma calma! Partesma alma!
Lucinda, Oh! és tam linda! És um encantu, pur issu cantu
Qué que tu isperas ter Lucinda?
Sabes que num possu darta Lua.
Qué que tu me queres dizer Lucinda?
...Que antes preferes a rua?!
Lucinda, Chega de prantu, que te faz feia. Dáme uma ideia:
Que é que tu me queres dizer Lucinda
Tu numinganes, tu nume mintas, chêga de fintas
Tu sabes bem cumu partir u curassom dum home!
Purqué que tinhas que cumêla au tipo du trombone?
I pra iscapar já nem atendes u telefone…
Lucinda apanheite cuma pinga de leite...!
Nu cantu da bôca.
Lucinda, tu queras a gaija dus meus sônhus...
Tu que fizestes piquênus us meus dias + grandes
Tu que fizestes grandes us meus deseijus + piquênus
Tu que fazias com ca minha pele suabe, de nalga de
bébé, se transfurmasse em péle de galinha de cada
bêz cas tuas unhas pustissas me russabom us pápus!...
Tu qu'eu amei desmedidamênte durante anus i anus
a fiu... Mêsmu cuandus teus dêdus s'enruscabom nus
remuinhus du meu cabêlu empastadu de brilhauntina.
Tu, tu i sêmpre tu, Lucinda!...
Tu que apesar de tôdesta felicidade desburdánte,
despertastesa cidade com êsse gritu lancinánte...
Créditos
Berg - Lide bucale i bozes;
Sérgio Castro - Lide bucale, biola inlétrica, bozes;
Álvaro Azevedo – Bataria;
Miguel Cerqueira - Baixu, bozes;
João L. Médicis - Biolas inlétricas, bozes;
Jorge F. Santos - Órgom Hammond i pianu inlétrico;
Marta Ren - Bozes
Sobre este tema
Sérgio Castro: Sempre me atraiu esta canção de Frank Zappa, "Lucille has messed my mind up", desde que a publicou pela primeira vez no album Joe's Garage. De tal forma, que nos anos 90 insisti para que a banda que eu integrava em Vigo (Frangos) saltasse um pouco fora da linha de 'covers' habitualmente seguida e me deixasse versionar o tema um pouco à minha maneira. Daí partimos para uma longa faixa, que em conjunto com "Bamboozelled by love", tocámos vezes sem conta ao vivo, até que um dia a gravámos para um CD de amostra do grupo, acabando a mesma por integrar a quarta entrega da serie Unmatched (1) ,da Hall of Fame Records, dedicada à obra de Zappa, com interpretações de bandas espanholas. Não voltámos a tocá-la em concerto. Mas adiante.
Dalí à versão dos Trabalhadores, foi um pulo. Pois um belo dia, no ensaio,
comecei a sentir vontade de a tocar e banda seguiu-me. Toda a gente conhecia o tema e todos o achavam
divertido, mais ainda quando em vez de Lucille me propuz cantar Lucinda, adaptando-me assim às
circunstâncias. Só faltava desenvolver a história e para isso imaginei a típica adolescente que vem
dum meio rural para casa da "madrinha", que é muito boa senhora, e que a troco de "trabalhos forçados"
como sopeira (era assim que se classificavam tais empregadas domésticas no meu tempo de juventude)
lhe proporcionava alguma, ainda que parca, instrução. Farta, passado pouco tempo, a garota queria
conquistar outros mundos e, mal aconselhada, trocava o esfregão por um rabinho de coelho cor-de-rosa,
acabando por cair nas malhas da perdição. Para acabar de lhe dar o toque final e também para não deixar
o Jorge brilhar de todo sozinho com o órgão na mão, recriei esse monólogo, com uma voz mista de Barry
White e Vitor Espadinha, que lhe dá o "molho" necessário para que a faixa siga crescendo. Já depois o
resto da rapaziada, sentiu-se no direito e na obrigação de contribuir com o seu grão de areia e surgiu
então o coro (de toque algo monástico) em que se pede encarecidamente à protagonista: tu num pares de
m'amar, num deixes nunca de m'amar...
1) "Nel Ligeiro" dos Trabalhadores – Bobby Brown de Zappa – também acabou a ser parte dessa coletânea.
(S.C.)

