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Loucu

Xtou louco, xtou loucu,
xtou completamênte loucu
Deixenme aprezêntar. Num confiem emim

A curtar êste bife, priocupama fome
i us recursus que faltam – ou que dizem faltare.
Sentumiolhu ecrá nu calôr du sufá
i até percu apetite i desbiu ulhare

Purqu’eu xtou loucu,
xtou louco, xtou completamênte loucu
xtou loucu, loucu

Queru salbaru mundu dêsda minha pultrôna,
purcá minha bontade atraissoua a preguissa.
Mas para ser sulidariu num importa u uráriu,
É u númeru du bisa ou a cônta secréta na Suissa...

Purqu’eu xtou loucu,
xtou louco, xtou irremediabelmênte loucu
xtou loucu, loucu tam loucu. Completamênte!!
Xtou louco, xtou loucu, xtou loucu,
Nanme fassam falar, nom me queiram fazer falar, que possu murdêr.
Xtou louco, xtou loucu, xtou irremediabelmênte loucu
Num me fassam gritar, num me queiram fazer falar, que sou de murdêr

Bou é grabar um discu sulidáriu cus pobres
Com us pandas du Zu ou com u Chaka Zulu
Á que têntar preduarnus a inércia a fazer penitência
Num supôim sacrifíciu; é apênas em consciência.

Purqu’eu xtou loucu,
xtou louco, xtou completamênte loucu
xtou loucu, tam loucu. Completamênte!!

Créditos

Sérgio Castro - Lide bucale, biolas inlétricas, precursom, bozes;

Álvaro Azevedo – Precursom;

Miguel Cerqueira - Biola inlétrica, armónica, bozes;

João L. Médicis – Baixu i bozes;

Jorge F. Santos - Téquelas, precursom;

Paulo Filipe - Cuntrabaixu d’arcu;

Rui Azul - Felautas i sexofone;

Nuno Meireles – Pugramassom;

Carlos Cortesão Rocha - Bozes;

Ugarte Anaiak - Txalaparta.

Sobre este tema

Sérgio Castro:  Naquela tarde de Junho de 1997 eu, o Miguel e o João, decidimos ficar no estúdio, onde preparávamos uma série de concertos de Verão, detonada pela recente re-edição, a finais do ano anterior, do duplo CD “O Milhor dos Trabalhadores do Comércio”. A experiência das duas gravaçoões inéditas, incluídas no álbum, tinha-nos reavivado o apetite para novas composições ou, pelo menos, para versionar de forma diametralmente oposta alguns dos velhos temas já esquecidos.

Nesse dia o ensaio terminara, como quase sempre, por volta das sete e meia, mas nós os três, conjugando vontades, saimos a jantar a um restaurante marroquino, recentemente instalado no Arrábida Shopping e que alguém nos tinha recomendado. Uns Cus-cus e algum ‘tintol’ mais tarde, voltámos ao estudio do Miguel para deixar registo de uma ideia para uma linha de baixo que o João tinha ‘acabado de inventar’ entre duas colheradas. A dita necessitava de uma base rítmica e, enquanto o Miguel programava a TR505, eu tentava encontrar a sequência de acordes que melhor se adequasse à cena. Este processo, ainda que longe de nos fazer suar, durou algumas horas, durantes as quais se queimou alguma ‘palha’ que, por conseguinte, gerou sêde e desgaste.

Adiantada a noite, saímos ao café Mon Ami, mesmo ali ao lado, e umas canecas e “3 francesinhas 3” depois (uma para cada um, evidentemente) voltámos ao “covil” para continuar a actividade criativa, desta vez com auscultadores nas orelhas, dado o adiantado da hora. Avançada ía a madrugada, quando finalmente nos sentimos satisfeitos com o ‘invento’. O tema ‘Loucu’ é, na sua essência, o producto dessa noite mágica. Todas as guitarras eléctricas são ainda as mesmas que se gravaram há mais de 10 anos e sem nenhuma modificação. O mesmo se passou com a harmónica do Miguel e a base rítmica. A famigerada linha de baixo do João, tal como a pedra do ‘caldo da mesma’ pôde então ser retirada, dando lugar a outra pista de baixo, que ele mesmo adicionou utilizando um 5 cordas e que dá ao tema esse peso insubstituível. As novas partes rítmicas foram por uma parte adicionadas pelo Jorge Filipe, o Álvaro e eu, através da utilização de novas tecnologias de percussão electrónica, ao mesmo tempo que ‘sampleamos’ – com auorização do autor, claro – partes do álbum Ttakunetan dos Ugarte Anaiak, uns exímios tocadores da txalaparta vasca. As colaborações do Paulo Filipe no contrabaixo e do Rui Azul em sopros, deram realmente o toque final que este tema necessitava.

‘Loucu’ é o protótipo de um processo criativo por adição, que também por adicção, já que é contagiante a necessidade de ir juntando mais pequenos pormenores sónicos: uma espécie de filme sem imagem. Reparem nas trovoadas tropicais, nos exércitos que macham a um ritmo impossível e desordenado tal como costumamos poder observar na maioría dos exércitos africanos aos quais a cobiça do ‘Monstro’ (Binde ber istu) empurra para guerras fraticidas. Os sons africanos e indianos misturam-se numa salada muito ao nosso gosto. Enquanto isto, o ‘telespectador’ vai refletindo sobre tudo aquilo que vê, mas o cérebro não processa toda a informação que lhe chega. Confunde-o... Enlouquece!

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