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Ispáncame

Bou saltar prá cama,
bou tirartu pijama.
Numimpurres fora,
senom bou mimbora
i bais cansar a mom direita.

Dáme u teu amôre,
seija cumu fôre.
Trincamiu pescôssu,
finge que sou môsso,
bai sêr a noite prefeita

Felôrbela ispáncame até á morte,
acorrentame i tentà tua sorte
Chicoteiame, apunhalame!
Deixàs unhas em cada corte

Puxa da curreia,
sacatiuma meia
Mordemiu iscrôtu,
deixame tôdu rôtu.
Cascame a nôite inteira

Felôrbela ispáncame até á morte,
acorrentame i tentà tua sorte.
Istrangulame ou amurdassame,
Mas apertame bem forte.

Créditos

Sérgio Castro - Lide bucale, biolas inlétricas, bozes;

Álvaro Azevedo – Bataria;

Miguel Cerqueira – Baixu;

João L. Médicis - Biolas inlétricas;

Jorge F. Santos - Téquelas i Pianu de rabu (que bíciu!!!)

Sobre este tema

João Médicis: Ispáncame foi composto no Porto, semanas após ter regressado de Londres (onde passei 7 maravilhosos anos da minha vida). Nessa altura andava brincar com variações de acordes, por exemplo de maior para menor, de acordes de tónica para dominantes, etc. Andava também a ouvir muita música inglesa, Muse em particular que fazem muito uso deste tipo de recursos.

No estudo destas variações sónicas elementares, surgiu-me a harmonia e melodia da parte cantada. Depressa me surgiu uma ideia para o refrão e nessa altura deixei de pensar no tema.

Semanas depois apresentei o tema à banda. Foi quase traumático uma vez que era a primeira canção da minha autoria que lhes apresentei. Primeira dificuldade - explicar-lhes a intenção eminentemente Rock do tema. Aqueles gajos com tantos C7, Amin7, e outros números devem ter pensado: "isto é jaze". O carvalho é o que é. Antes que desse porrada, fizemos o que sempre fazemos quando a coisa não corre bem: fomos jantar.

Já com o bacalhau na boca e o vinho na cabeça, o Sérgio exclamou: "Já percebi o que queres do tema! Mas não te digo agora, demonstro-te depois do jantar". Regressados ao estúdio o homem pegou na guitarra, pôs o amplificador no 11 (estilo Spinal Tap) e começou a tocar e cantar rasgado. Só pude dizer: "É isso mesmo".

Curiosamente, quando chegavamos ao refrão a banda tinha a tendência para o tocar em tango (a minha ideia era Rock, com os amplificadores no 12). Ao fim de um par de voltas tudo começou a fazer sentido e quando o Jorge decidiu tocar "violinos" a canção ficou completa. A letra é obra do Sérgio e ele que a explique.

Sérgio Castro: Agora entro eu, como nas corridas de estafeta, com passagem de testemunho: Com os ingredientes descritos está visto que a canção só podia ter um  toque eminentemente erótico, factor que me agrada de sobremaneira e agora mais ainda, desde que ouvi Eduardo Puncet, medico e escritor catalão, a confirmar algo que sinto há anos: Que o sexo, a música e o apetite (nutricional) são comandados pelas mesmas neuronas. Para mim isto faz todo o sentido.

Talvez por isso, depois do ensaio, mas ainda com a barriga cheia do lauto jantar, fui avançando na VCI em direção à casa dos meus pais, onde ia pernoitar e, como por inspiração divina (isto deve ser o que está na origem das aparições) fui escutando uma voz que me "ditava" literalmente a letra. Como pude (e acreditem, não devem fazê-lo que é perigoso) fui escrevendo numa folha alguns apontamentos, ao mesmo tempo que conduzia. Para cúmulo ainda deu para telefonar ao João e ao Jorge, que seguiam noutro carro, também de volta a casa, a pedir-lhes a "aprovação" para as primeiras estrofes. Ao chegar ao meu destino, no centro da cidade, já a letra tinha praticamente a forma definitiva.

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