cordàbida
Dou cordàbida, olhalua está cheia, A aurora já despônta Descunfiansa má conselheira, cunfiansa eiscessiba,
curu uma frida da loucura que me rudeia.
Uma gabeta que num feixa, uma bota que se suija...
Num há diabu quiaparessa de quem a gênte num fuija.
iu crepúsclá-de chigar.
À bolta de mim tudu se mobe,
a pulsassom àumentar
I a bida som dôis dias
iêste já bai na cônta...
À bolta de ti tudu se mobe
iu próximu já despônta
u bichu que te rói i te cunsoma bida
Desapertu cularinhu, atiru-mà bida
Cada um nu seu tamanhu, tôdus na mêsma medida
Queru trabalhar, quem me dá imprêgu
Precisu de sair dasquina du apegu.
Créditos
João L. Médicis - Lide bucale, biola inlétrica i incitassom á rebolta pupular; Álvaro Azevedo – Bataria, bozes; Miguel Cerqueira – Baixu, bozes; Sérgio Castro - Biolas inlétricas, bandolinhe, boz i apaziguamêntu da iscumalha; Jorge F. Santos - Órgom Hammond(semiar), sintonizadores; Nuno Meireles - Pugramassom
Sobre este tema
Sérgio Castro: Originalmente intitulada “A vida são dois dias”, Cordàbida é outro tema da pena do Antonio Garcez, bàsicamente contemporâneo de “Binde ver istu”, onde ainda se notam as influências musicais de Carlos (Stone) Ferreira, um dos elementos da formação original dos Stick, no “riff” que ao longo da canção lhe transmite toda a tensão. E essa é, na minha opinão, a verdadeira essência do tema que, mais uma vez em Rio Abaixo, o João Paulo não respeitou, desfigurando totalmente a base musical.
Sempre a entendemos como uma manifestação atemporal de uma horde de desempregados de ontem, hoje e de amanhã que, megafone em riste, reivindicam o seu direito ao trabalho. Relata um período de depressão em que, sem sucumbir ao peso dos acontecimentos, o protagonista “dá corda à vida” e mete pés ao caminho em busca de melhor sorte. Sem sombra de dúvidas uma canção “feita” para os Trabalhadores tal como se pode apreciar no video que circula no Youtube e que se pode ver aqui no site.

