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Você está aqui: Entrada Música Iblussom Ardenmius olhus
 

Ardenmius olhus

 

Ardenmius olhus de ber àrderu país!
Ardenmius olhus i até já m’ardiu narís!
Num sei que pode passar pura testa
du loucu q’atissa fôgo á fluresta!?...
Sobranlhas mons, sobra ele...
Mas quem quer ser juiz?

Sonho com o dia em que o verde não perca mais a cor
Em que as aldeias não sofram nem mais um dia de dor
Que intresse escuro se move detrás?
E que mão mais negra organiza a manobra?
Queima-se-me a alma ao sentir da cinza o sabor.

Pouparu jardim antes que já seija tarde
Salvar o quintal e a floresta que arde
Tu poupó jardim dônde tié dadu biber
Tu poupa o jardim onde te é dado viver
Nananananana
Salbó quintal Salva o quintal
Poupó quintal Poupa o quintal

Morrem os bichos enquanto tem uma mão na mangueira
o demagogo chegado da Praia d’Albufeira
Camisa branca tam pulcra quispanta
Sintu quié u fumu que mamurdassá garganta
Férbemiu sangue nas beias e a raiva é companheira.

Créditos

Berg - Lide bucale i biolom selaide;

Vozes da Rádio – Bozes i arranjos bucais

Carlos Cortesão – Boz de baixu (credu!!);

Sérgio Castro - Lide bucale, biolom i bozes;

Álvaro Azevedo – Bataria;

Miguel Cerqueira – Baixu;

João L. Médicis – Biolas inlétricas i bozes;

Jorge F. Santos - Pianu de rabu (que finu!!!) i bozes;

Sobre este tema

Em 2006 Portugal e a Galiza foram palco de inúmeros incêndios devastadores, com consequências muito graves para o ambiente, a paisagem e, por conseguinte a economia de ambos paises, com o consequente empobrecimento de regiões já de si não muito ricas. Todos, ou pelo menos a imensa maioria, se sabe que foram provocados por mãos criminosas, com interesses nas indústrias madeireira e/ou imobiliária. Cortar uma mão a cada um destes criminosos apanhados em flagrante é muito menos grave do que os danos por eles causados e, provavelmente serviria para os dissuadir de arricar-se a perder a outra. Essa é a uma das mensagens da canção. A outra é dizer a alguns políticos que não nos impressionam com uma apressada interrupção de férias e uma desajeitada encenação de como apagar as chamas dum “molho de couves secas” com uma mangueira de jardim, enquanto ao fundo se vê um cenário de devastação causado pelo fogo de verdade. Principalmente se a camisa que levam se mantém impecavelmente branca, como no momento em que sairam do carro oficial para se colocarem diante das câmaras de televisão.

Alguém disse que esta canção tinha algo de balada “hard-rock” e que lhe causava arrepios. Quando eu [Sérgio] e o Jorge Filipe a compusemos, originalmente com uma letra em inglês, essa era a onda que tinha. Posteriormente o tema ganhou outra dimensão, principalmente com a brilhante interpretação em Português “da capital” do Berg e os impensáveis arranjos e impecável execução das Vozes da Radio (em Nortense, claro).

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