200 Kilus d'Amôre (McLub)
Cuandu te bi sair du restorante
num 60 com 2 Gês foi nêsse instante
que te bi cuma menina dus meus olhus
cuandu teinhu as pupilas dilatadas,
i percebi queras das tais
com alergiá begetais biulóóóóóóóóóógicus.
Mále eu dei comigu em minha casa
procureite plus gabetus da Internete
purque teinhu banda larga i sei que passas
us teus dias à procura doutra parte;
doutru persunaigem forte
que beinha i mude a tua sorte depreeessaaa.
Som 200 kilus d’amôre
construídus com sabôre em cadeias amricanas.
Juntá tua dietum fabôre:
come a mustarda cua culher iusambúrgueres qu'inda ouber
Purque cuandu nós murrêrmusós 40
com as beias intupidas de gurdura
bai ficar a nossa imaigem de felizes
purquia bida, é muitu mais que furmusura
Até purque num bou ter mais
caturar us hospitais desta tesuuuuuuuuuura
Créditos
João L. Médicis - Lide bucale;
Jorge F. Santos - Pianu de rabu (cumu manda a sapatilha i izige a funsom!!!);
Sérgio Castro – Timpani (cum cêra)
Sobre este tema
João Médicis: 200 Kilus foi composto em Vigo, durante as gravações de Iblussom. O som do piano Yamaha C3 (pelo menos nos dedos do Jorge) estava a deixar-me inquieto e, aproveitando um intervalo para descanso do pessoal, sentei-me no instrumento do nosso pianista (salvo seja) e comecei a tocar uns acordes mais ou menos aleatórios. Ao fim de uns minutos comecei a interessar-me por uma progressão hamónica que me parecia pouco habitual e puxei do meu gravador portátil de 4 pistas (que levo até para a casa de banho - mais tarde editarei alguns desses momentos) no qual registei a ideia base do tema: harmonia e melodia, acompanhadas de poesia contemporânea estilo "nana nani nani nanana, nana ni na na ni na na na ni na". Não mostrei a ninguém da Banda porque me pareceu um tema romântico sem o cunho TC, adequado a uma Rita Guerra, ou um Ronan Keating, ou melhor ainda um Pedro Abrunhosa, pois claro! Só precisava de uma letra.
3 semanas mais tarde, e de volta à Invicta, completei a minha penitência mensal que é levar os putos a comer ao McDonalds. Enquanto os via comer aquela merda americana disse à Arabela (minha catraia): "Um dia hei-de escrever uma canção sobre gajas gordas que comem nestes sítios todos os dias", ao que ela respondeu "escreve antes uma sobre pessoas que têm fetiches sobre esse tipo de gajas". Teu dito, meu feito. Estava encontrado o mote para a letra romântica de que precisava, e melhor do que tudo, passaria a ter o cunho TC - mas teria de ser eu a cantá-la (fazia questom, com oculos de sol e tudo!). Puxei de um guardanapo do McD, e ali mesmo, comecei a cantarolar a melodia de Vigo e colocar-lhe a letra no estilo em que gosto de escrever: com sexo, humor (espero), com uma mensagem de alerta e de inspiração, e uma crítica ao estado do país, de preferência tudo ao mesmo tempo. E ali, em pleno McDonalds no Via Catarina, acabei a canção que tinha iniciado umas semanas antes.
Um par de meses mais tarde, e já nos estúdios que agora pertencem a Abrunhosa (o Universo está todo ligado, e não há coincidências) o Jorge fez justiça à canção e executou-a brilhantemente. Eu fiz o que pude dos meus óculos de sol e das minhas pobres cordas vocais (tenho outros talentos), e o Sérgio aproveitou uns timpani que estavam preparados no Estúdio para efeitos de sonoplastia (oiçam o meu amor de 200Kg a chegar).
Fica apenas um ressentimento genuíno: num album recheado de colaborações de grandes estrelas, devia ter convidado Abrunhosa (que respeito muito como compositor e artista) para fazer de 200 Kilus um duo à maneira. Estou seguro que teria catapultado a canção para outro patamar. Fica para a próxima.

